
Diana de Versalhes no Louvre: a deusa da caça entre a Antiguidade e os reis da França
UMA OBRA POR DIA · O LOUVRE NOSSO DE
CADA DIA
Uma deusa em movimento, um cervo ao seu lado e uma história que atravessa palácios. Diana de Versalhes convida a olhar além da beleza do mármore: sua aparência também guarda as marcas de restaurações e de mudanças de lugar.
No Louvre, a figura parece interromper a caminhada por um instante. O braço erguido, a cabeça voltada para o lado e a túnica curta conduzem o olhar em direções diferentes. Antes de ler sua história, vale observar essa impressão de movimento.
![Diana de Versalhes. Cópia romana em mármore, provavelmente de 125–150 d.C. Museu do Louvre, Ma 589. Fotografia fornecida para este artigo. [1]](https://static.wixstatic.com/media/9f4ea3_30466ab4d75e454bb0d880e199be7169~mv2.jpg/v1/fill/w_638,h_851,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/9f4ea3_30466ab4d75e454bb0d880e199be7169~mv2.jpg)
Diana ou Ártemis: reconhecer a caçadora
Diana é a deusa romana da caça e da lua, protetora dos animais selvagens e da natureza. É também irmã gêmea de Apolo. Panorama de l’art apresenta esses atributos em sua análise de Diane sortant du bain, de François Boucher, e inclui Diana de Versalhes como imagem de comparação. Trata-se de um contexto mitológico, não de uma análise dedicada à estátua.
A figura do Louvre representa Ártemis, sua correspondente grega. A mão direita busca uma flecha na aljava. A túnica, chamada quíton, e o manto enrolado na cintura acompanham o gesto; ombros e quadris se orientam em sentidos opostos, formando uma composição em “X”.
Uma cópia romana, um modelo grego incerto
O Louvre situa a execução provavelmente entre 125 e 150 d.C., na época de Adriano. A obra retoma um modelo grego associado, com ressalvas, a Leócares. A Wikipédia explica que essa atribuição foi construída por comparação com o Apolo do Belvedere, mas permanece discutida. O nome do escultor não deve ser apresentado como uma certeza.
Da Itália aos palácios franceses
Segundo a Wikipédia, a descoberta pode ter ocorrido na região de Nemi, na Itália. Em 1556, o papa Paulo IV ofereceu a estátua a Henrique II. Instalada em Fontainebleau, ela passou depois ao Louvre, sob Henrique IV, e a Versalhes, sob Luís XIV. Sua passagem pela Galeria dos Espelhos explica o nome pelo qual ficou conhecida. O Louvre registra sua chegada ao museu em 1798.
O cervo e as marcas das restaurações
A imagem atual não corresponde apenas ao que sobreviveu da Antiguidade. A Wikipédia relaciona a intervenção de Barthélemy Prieur, em 1602, à adição de um pequeno cervo. A ficha do Louvre documenta partes refeitas, incluindo os braços, quase toda a aljava e partes do animal. Registra restaurações por Prieur em 1602 e por Lange em 1808; adotamos aqui essa cronologia oficial, pois a Wikipédia menciona 1802 para Lange.

Diante da obra, no Museu do Louvre
A localização indicada pelo museu é an ala Sully, nível 0, sala 348. Comece pela silhueta inteira. Depois, acompanhe o braço erguido até a cabeça e desça pelas pregas da roupa. Observe como a figura humana e o animal ocupam o espaço juntos. Esse percurso do olhar é uma sugestão de visita, não uma interpretação atribuída às fontes.
Conclusão: uma deusa que atravessa os séculos
Diana de Versalhes pode ser contemplada como imagem da caça e como objeto com uma longa trajetória. Olhar com atenção significa perceber tanto o movimento da figura quanto as perguntas que sua história deixa abertas.

Referências e documentação
Fontes consultadas em 14 de outubro de 2026. Dados técnicos e localização: ficha oficial do Louvre. As três ilustrações usam a fotografia fornecida, inteira e em dois recortes de apresentação; nenhuma imagem de reconstrução foi utilizada.



Comentários