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O que significam as sementes de romã


(ou por que, depois de uma visita ao Louvre, você vai pensar duas vezes antes de comê-las)

Dra. Mara Rute Lima Hercelin



Perséfone, filha de Deméter — deusa da agricultura e das colheitas —, foi raptada por Hades, o deus do submundo. Desesperada, Deméter fez a Terra parar de produzir: o solo secou, os frutos murcharam, e a vida estagnou.Foi então que Zeus, para restaurar o equilíbrio, ordenou que Perséfone pudesse retornar à superfície.


Mas havia uma condição:

💥 quem come algo no submundo jamais pode deixá-lo completamente.

Perséfone, sem saber, havia comido sementes de romã — em algumas versões, seis delas.Por isso, foi condenada a passar parte do ano com Hades (no submundo) e parte com Deméter (na Terra).Assim nascem as estações: quando está com a mãe, a natureza floresce; quando retorna ao submundo, tudo adormece.

✨ Entendeu a lição aqui?

Se não, não se preocupe — você aprende em uma de nossas visitas ao Louvre. Afinal, mais do que um museu, o Louvre é uma grande escola —um lugar onde a arte ensina o que os livros apenas sugerem.


🌺 As sementes de romã: um símbolo de ciclos e escolhas

Desde a Antiguidade, a romã foi vista como um fruto sagrado, símbolo de vida, morte e renascimento. No mito, suas sementes representam muito mais do que um simples alimento: elas são o elo entre mundos — entre o claro e o escuro, o visível e o invisível.


🌱 Fertilidade e vida

A romã, repleta de sementes, simboliza abundância e renascimento.Quando Perséfone come a fruta, ela aceita seu papel no ciclo da vida — aquele que floresce e também aquele que murcha.


🌕 Maturidade e transformação

Ao provar as sementes, Perséfone deixa de ser apenas filha.É o rito de passagem entre a inocência e a consciência — um mito sobre o crescimento, o poder interior e o despertar da alma.


🏛️ O Louvre e a lição das sementes

Ao caminhar pelas galerias do Museu do Louvre, é possível encontrar esculturas de Korê — nome grego de Perséfone antes de se tornar rainha do submundo.Entre mármores e fragmentos de tempo, ela ainda olha o visitante com serenidade, guardando o mistério da transformação.

Essas obras — silenciosas, mas vivas — nos recordam que a arte não está apenas exposta, mas esperando ser decifrada. Cada visita é um reencontro com algo em nós mesmos: com o que foi, o que é e o que pode vir a ser.

🌿 Fazer do museu uma casa

Um museu não se visita uma vez — ele se habita. Quem escolhe estar em um museu como parte do cotidiano aprende com o passado, compreende melhor o presente e começa a desenhar futuros mais acertivos e sensíveis.

Porque, no fim, somos todos um pouco como Perséfone:descendo e subindo, perdendo e renascendo,com uma semente de romã nas mãos —símbolo daquilo que nos prende,mas também daquilo que nos faz florescer.


📍 Nota curatorial

A inspiração para este texto surgiu diante da escultura “Korê de Elêusis” (Korê d’Éleusis, inv. Ma 2903), exibida na Sala 405, Ala Denon do Museu do Louvre — uma representação da jovem deusa associada aos Mistérios de Elêusis e ao mito de Perséfone.Ali, entre luzes tênues e mármore antigo, a deusa parece ainda guardar o segredo das sementes.

 

 
 
 

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